Calor combina com…
29 de abril de 2020

Vinho amadurecido em Barris de Bourbon: uma moda ou um novo estilo?

Na história recente, o primeiro vinho a passar por barris previamente usados na fabricação de Bourbon veio da Fetzer Vineyards, em 2014. Apesar de a prática existir ainda nos idos dos anos 80, acabou caindo em desuso, com o acesso facilitado ao nobre carvalho francês. Hoje, a nova onda de vinhos feitos dessa maneira representa algo totalmente diferente.

Antigamente, o motivo da reutilização dos barris de Bourbon era o custo mais baixo, devido à alta disponibilidade. Como o Bourbon é obrigatoriamente envelhecido em carvalho americano novo, depois de findo o período de amadurecimento do whiskey, as barricas não tinham mais serventia aos destiladores, pois o lote seguinte exigia uma nova leva de barricas. Então as usadas eram vendidas a baixos preços, e reaproveitadas nas vinícolas.

Agora, porém, o retorno a essa antiga técnica significa uma busca por um novo perfil de produto, por conta das características específicas que o “Bourbon Barrel” pode transmitir ao vinho. Tipicamente, o barril de Bourbon é feito de carvalho branco americano (Quercus alba), possui capacidade de 200 litros e um grau de tosta muito maior que um barril feito para guardar vinho. Uma camada de aproximadamente 3 milímetros de carvão é criada nas paredes internas, o que cria fissuras que acabam aumentando a superfície de contato. Ao mesmo tempo, o carvão age como uma barreira entre o vinho e a madeira, fazendo com que as substâncias da madeira sejam desprendidas de maneira gradual. Obviamente, o alto grau de caramelização das ligninas e hemiceluloses produz grande quantidade de substâncias aromáticas, que contribuem com notas de baunilha, caramelo e toffee.

Os únicos vinhos amadurecidos dessa maneira disponíveis no Brasil por enquanto são os da linha Los Intocables, do produtor Las Moras, região de San Juan. É quase instintiva a idéia inicial de que sejam pesados e corpulentos, porém, tanto o Malbec quanto o Cabernet apresentam ótimo equilíbrio, com álcool moderado para os padrões argentinos, e boa verve que os faz gastronômicos. No Malbec, ameixas maduras e violetas vêm permeadas por notas de caramelo e tostado. O Cabernet exibe frutas negras e pimenta bem integradas com chocolate amargo e ervas grelhadas. A Decanter é a importadora exclusiva, e certamente vale a procura, pois oferecem uma experiência única e uma excelente relação qualidade preço.